domingo, 28 de outubro de 2012


A imagem sonora como reflexo do eu
Em 1974 Guy Rosolato, escreveu sobre o espelho acústico no seu artigo psicoanalítico sobre a voz operática (1974, 1998). A voz, escreveu, tem a propriedade notável de sendo simultaneamente emitida e escutada, enviada e recebida- pelo próprio sujeito, come se, em comparação com a visão, um espelho acústico estava sempre em uso (1998, p. 108). O espelho acústico de Rosolato, ao contrário de um espelho visual, fica sempre conosco, mesmo quando fechamos os olhos. Em comparação ao espelho de Lacan, a articulação da imagem acústica é mais estreita do que a dada pela imagem visual; a demarcação entre o interior e o exterior do corpo é menos clara. Por causa disso, a distinção entre o eu subjetivo e o exterior objetivo pode tornar-se mais “confusa” e “invertida”, com um prevalecendo “sobre a outra” (ROSOLATO, 1998, p.108). Segundo Rosolato, a subjetividade pode tornar-se comprometida e a paranoia é apenas um único exemplo, onde “sons alucinados”- distorções de fala interior- tornam-se confusos com o exterior objetivo (SILVERMAN, 1988, p.80).
A instalação seria apropriada aparecer movimento bidirecionais do som entre a imaginação e a realidade exterior.

Sons do cerrado- 0007 mp3 – Site reverberante



O som eletrônico no cinema: uma abordagem fenomenológica
José Cláudio Siqueira Castanheira | jcscastanheira@gmail.com
Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutorando em 
Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em 
Comunicação Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)
Resumo
Este trabalho tem a intenção de analisar as novas relações que se estabelecem entre os corpos e um novo espaço que se configura a partir de sons gerados e modificados eletronicamente. A partir da perspectiva fenomenológica de autores como Jean-Luc Nancy, Don Ihde e Steven Connor, descrevemos os movimentos de produção de sentidos, para além de um campo hermenêutico, inseridos nos processos de reverberação entre os corpos. Os sons trazem mais do que as informações do objeto produtor da vibração original, mas também de todo um entorno. Essas informações tornam-se mais complexas quando do descolamento desses sons de corpos físicos concretos, prática ensejada por novas tecnologias e grandemente utilizada no cinema. 
Palavras-chave: cinema; som eletrônico; percepção; tecnologias; fenomenologia.
Disponível em: http://www.contemporanea.uerj.br/pdf/ed_15/contemporanea_n15_09_Castanheira.pdf

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