ESCULTURAS SONORAS
em escultura por ana mendes pinto em 12 de fev de 2012 às 00:44 | 1 comentário

O som relaciona-se directamente com o modo de vida da sociedade moderna e o seu desenvolvimento tecnológico. É também o melhor exemplo do físico e não físico, de presença e ausência. Esta dupla dimensionalidade que o conceito de som abarca é base da sociedade moderna e reflecte, talvez melhor que qualquer outra arte desenvolvida no século XXI, a arte contemporânea.
A arte sonora caracteriza-se pela junção de som, imagem, espaço e tempo tornando-se em alguns casos site-specific. Com isto refiro não só que pode ser criada para um determinado espaço, tendo em conta as suas características, como também me refiro à sua dimensão identitária, ou seja, são esculturas que atribuem identidade a um espaço: tornam-se parte do espaço envolvente, realçando e valorizando o local.
Existem dois processos pelos quais é possivel criar esculturas sonoras: através da criação de uma escultura/estrutura que produza um determinado som ou percussão, ou através de um som que, pelas suas qualidades de vibração, amplitude e frequência pode ser “manipulado” de forma a dar origem a um elemento escultórico.
Quando o objectivo é criar uma escultura por meio de som podem utilizar-se diversos métodos recorrendo-se, quase sempre, ao uso da tecnologia informática. Com um programa de computador é possível comandar e controlar uma série de acções que se desenvolvem em acontecimentos. Um artista pode, por exemplo, emitir frequências de som que, alcançando certo ponto, dêem origem a determinada acção. A imagem apresentada acima dá-nos a conhecer um meio possível para a criação de uma escultura sonora: foi colocada sobre um altifalante/caixa de som uma placa fina de plástico com diversas gotas de tinta líquida. Conforme o som foi reproduzido as ondas sonoras causaram a vibração das tintas criando um padrão aleatório. Os movimentos das gotas de tinta foram capturados, com recurso a uma máquina fotográfica, que disparava cerca de 5000 imagens por segundo.
A subtileza do trabalho reside no seu carácter efémero e na impossibilidade de recriado de forma exactamente igual. Neste projecto adiciona-se à música o que ela não tem: visualidade. As ondas sonoras tornam-se visíveis através do movimento do material (gotas de tinta).
Quando o objectivo é que as próprias esculturas produzam sons é necessário que haja uma acção que lhes dê origem e as faça funcionar. Esta acção pode ser exercida através de uma acção natural, como a passagem de vento num determinado local, ou através do movimento corporal do espectador. A imagem apresentada acima é um exemplo de uma escultura sonora que exige a intervenção do público: a entrada de luz nos cones define o som que é reproduzido, deste modo, as mãos do espectador ao movimentarem-se em redor do elemento escultórico, devagar ou rapidamente, escurecem o interior dos cones e alteram a emissão de som que varia de volume e timbre.
Na maior parte dos casos estas esculturas alcançam uma dimensão relacional. Sendo objectos que necessitam e sobrevivem da interacção do público tornam-se elementos de coesão social.
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