domingo, 28 de outubro de 2012

SEMINÁRIO EMOÇÃO ART FICIAL 6.0 - 30/05 à 29/07/2012


SIMPÓSIO INTERNACIONAL EMOÇÃO ART.FICIAL 6.0

Esta edição do Simpósio Internacional Emoção Art.ficial 6.0, concebida pelo curador e pesquisador Fernando Oliva, pretende abrir espaço para que se manifeste, agora e no futuro próximo, um lugar de debate em que as relações entre arte e tecnologia possam ser, mais uma vez, repensadas de maneira crítica e inesperada, produzindo reverberações no sistema expandido da arte, cultura e sociedade, individual e coletivamente. O conjunto dos debates, em sua articulação, lança conclusões e dúvidas para além do circuito especializado das artes visuais - tanto em sua rubrica arte e tecnologia, como nas de arte contemporânea, artes visuais e demais definições que há muito tempo não são mais capazes de dar conta da complexidade e potência da produção artística, intelectual e simbólica de nosso tempo.

Os debates passam pela antropologia e psicanálise, mas também pelo encontro da ficção-científica com Dominique Gonzalez-Foerster, e a reencenação da traumática Experiência Milgram, a tecno-estética de Gilbert Simondon, redes sociais e pornografia virtual, Gustav Metzger, Roberto Bolaño, Enrique Vila-Matas e Jean-Luc Godard.

Em uma mesma operação paradoxal de corte, os conteúdos do Simpósio Emoção Art.ficial 6.0 rejeitam e aderem aos conceitos lançados pela exposição em cartaz no instituto, desde a possibilidade de se criar, hoje, um lugar de convivência em torno de uma ideia geográfica (a instituição cultural e seus espaços de exibição), até a fantasia de um sentimento conciliador em um campo artístico e teórico, o da arte e tecnologia, que nasceu com base em embates e distensões.

Parece ser chegado o momento de se fazer uma avaliação prospectiva, uma que na mesma operação se dirija ao passado e aponte para o futuro. De uma perspectiva histórica, sem fazer tabula rasa, renovar a "folha em branco" desta relações. Este Simpósio almeja colocar em ação este movimento crítico pendular, ora em direção às pesquisas artísticas, especialmente estas aqui em exibição na Bienal de Arte e Tecnologia, ora em direção ao mundo das ideias que não se encontram "fora", aquém ou além, mas que atravessam incessantemente esta produção. No ritmo multi-direcional destes vetores podem surgir imprevistas relações, novas camadas de entendimento, talvez neste momento ainda encobertas pela poeira da linguagem e dos discursos, mas que podemos agora tornar visíveis.

Ao fim, o Simpósio Emoção Art.ficial 6.0 busca colaborar para que surjam inéditas estruturas de pensamento neste espaço por definição etéreo, fragmentado e sem aderência - características responsáveis tanto por suas fragilidades quanto suas potências formais, intelectuais, políticas e econômicas. No limite, a intenção de se criar estratégias anti-comodificação, que venham a ser usadas tanto pelos artistas quanto como por uma crítica e uma historiografia que podem e precisam se reinventar.

PROGRAMAÇÃO, SINOPSES E BIOS
Quinta-feira, 31 de maio
19h30
Apresentação de Fernando Oliva e Guilherme Kujawski
Palestra de abertura com Laymert Garcia dos Santos: Tecno-Estética: Repensando as Relações entre Arte e Tecnologia

O encontro procura indagar por que toda uma gama de obras que põem em relação arte e tecnologia é conceitualmente inconsistente, e por que essa associação deve ser repensada. Em um segundo momento, busca-se mostrar que é possível converter a negatividade desse vínculo em positividade, por meio do conceito de tecno-estética, do filósofo Gilbert Simondon. Por último, para exemplificar a problemática, a palestra recorre às criações digitais do artista André Favilla e às experimentações de Leandro Lima e Gisela Motta.

Fernando Oliva é curador, pesquisador e docente da Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Integra a Comissão Curatorial do Videobrasil e editou o Caderno Videobrasil "Turista/Motorista". Foi Diretor da Divisão de Curadoria do CCSP e atuou como curador no Paço das Artes e no Museu da Imagem e do Som. Entre seus projetos recentes destacam-se O Retorno da Coleção Tamagni - Até as Estrelas por Caminhos Difíceis (MAM-SP, 2012, com Felipe Chaimovich), O Desvio é o Alvo (2011, com Luisa Duarte), entre outros.

Laymert Garcia dos Santos é professor da Unicamp e doutor em ciências da informação pela Universidade de Paris 7. Estuda Sociologia da Tecnologia e é autor de diversos textos sobre as relações entre tecnologia e cultura. Entre 2006 e 2010, com Peter Ruzicka e Peter Weibel, foi diretor-artístico da ópera multimídia Amazonas.

Sexta-feira, 1 de  junho
17h30
Palestra com Lisette Lagnado (O Leitor do Futuro) e Arto Lindsay (Diferença e Repetição: Um Novo Estatuto para o Sampling)
Mediação: Fernando Oliva
O Leitor do Futuro
(Lisette Lagnado)

É possível conquistar uma qualidade literária sem redigir um livro, mas, por exemplo, levando o visitante a fazer um percurso no parque? O encontro deixa algumas pistas para compreender a emergência de um novo espaço de fruição no âmbito das salas de exposição. Será analisada a obra de Dominique Gonzalez-Foerster e suas afinidades com a ficção científica, presentes tanto na literatura de Adolfo Bioy Casares, Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas como no cinema de Jean-Luc Godard e Andrei Tarkovski.

Lisette Lagnado é crítica de arte e doutora em filosofia pela USP. Foi Curadora-Geral da 27ª Bienal de São Paulo e organizou, em 2010, a mostra Desvíos de la Deriva para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri). Entre suas curadorias, destacam-se a Sala Especial de Iberê Camargo para a II Bienal do Mercosul (1999) e o Antarctica Artes com a Folha (1996).

Diferença e Repetição: Um Novo Estatuto para o Sampling
(Arto Lindsay)

A despeito da especulação sobre a extinção do sampling, Lindsay discute como o recurso, se visto não como paradigmático e sim como uma entre várias novas tecnologias sonoras à disposição da música, ainda tem muito a oferecer. No lugar de constituir uma célula a ser repetida, o sample agora 
se apresenta como uma amostra a ser estudada. São as unidades fabricadas e suas pequenas variações, seu grão, que interessam. "Estamos deixando de ser hipnotizados pela repetição em si e passando a perceber e poder classificar as diferentes relações entre os elementos de uma formulação artística", salienta o músico. Lindsay também abordará sobre como procedimentos científicos e matemáticos são cada vez mais procurados para servir tanto como metáforas quanto bases para obras de arte.

Arto  Lindsay é músico. Atuou como cantor, guitarrista, compositor e produtor de discos em Nova York e atualmente mora no Rio de Janeiro. No final dos anos 70 ele participou da banda DNA, que frequentava a cena underground de Manhattan. A partir da década de 1990 Lindsay passou a atuar em projetos de artes visuais. Atualmente concebe desfiles-performance, como na Bienal de Veneza de 2009, e outras manifestações sonoras, além de continuar ativo no campo da música.

19h30
Palestra com ARCHIVE, coletivo de Chris Kubick e Anne Walsh (Uma Tarde com Joseph Cornell, da Série Art After Death) e Mario Ramiro (Mídias Assombradas)
Mediação: Fernando Oliva
Uma Tarde com Joseph Cornell, da Série Art After Death
(ARCHIVE - Chris Kubick e Anne Walsh)

O principal foco de discussão é a performance An Afternoon with Joseph Cornell. O trabalho parte de uma série de gravações de áudio que documentam entrevistas realizadas em 2002 com Joseph Cornell (1903-1972) no Whitney Museum of American Art. O contato com Cornell foi feito a partir de médiuns profissionais que conversaram com o influente artista americano, que fala sobre sua obra, sua reputação, seu legado e seus sonhos. Walsh e Kubick narram essa comunicação utilizando-se de slides de obras enigmáticas de Cornell, objetos efêmeros de papel, fotos de família, fotos históricas de suas assombrações pela cidade de Nova York, fotos publicitárias e temas afins. A narração inclui uma discussão das várias questões éticas e práticas envolvidas na realização da série Art After Death, da qual faz parte esta obra de Cornell: a combinação inusitada de historiadores de arte e médiuns espíritas; as estranhas verdades que surgem; o significado da palavra inspiração; a propriedade sobre o legado de um artista e muito mais.

ARCHIVE é uma entidade de produção colaborativa dos artistas Anne Walsh e Chris Kubick. Juntos, o ARCHIVE produziu uma série de CDs, incluindo Conversations with the Countess of Castiglione, Yves Klein Speaks! e Visits With Joseph Cornell. Também produziram instalações de galerias em exposições de galerias e museus, incluindo a Bienal Whitney 2002. Seu trabalho pode ser escutado na rádio pública nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra, e suas palestras já foram ministradas no Museum of Contemporary Art, de Los Angeles, no Getty Museum e, recentemente, no Institute for Surrealism Studies, em Essex, Inglaterra.

Mídias Assombradas
(Mario Ramiro)

Ele fala como na época do advento da telegrafia e das transmissões radiofônicas, surge um novo sistema de crenças no mundo ocidental baseado na possibilidade de comunicação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Da mesma forma, com o advento da fotografia e de suas derivações, como os raios-X, seria igualmente possível tornar visível o que antes era invisível ao olhar. Ao longo de mais de 150 anos, essa crença também se difundiu no universo da arte, seduzindo pintores, fotógrafos, escritores e poetas a revelar por meio de suas pesquisas pouco ortodoxas uma dimensão extra-sensorial em nosso mundo sensível.

Mario Ramiro é artista multimídia. Foi integrante do grupo de  intervenções urbanas 3NÓS3. É mestre em fotografia e novas mídias pela Escola Superior de Arte e Mídia de Colônia, na Alemanha, e doutor em artes visuais pela USP. Trabalha atualmente como professor do Departamento de Artes Visuais e do programa de pós-graduação da ECA/USP. Integra o coletivo Kurokos.

Sábado, 2 junho
17h30
Palestra com Rod Dickinson e Roberto Winter [Do Pornográfico ao Social (e de Volta)]
Mediação Fernando Oliva

Reapresentação e sistemas de comportamento: The Milgram Re-enactment e Closed Circuit

Rod Dickinson apresenta dois projetos: The Milgram Re-enactment (2002) e Closed Circuit (2010). A exposição aborda sobre como os dois projetos articulam e representam sistemas de comportamento e previsão que estão arraigados em muitas facetas da nossa sociedade contemporânea. Constituem assim o resultado e o legado do desenvolvimento dos sistemas de informação do pós-guerra que inscrevem o homem em situações e instituições que gerem e medem desempenho, escolha e produtividade. Isso, consequentemente, cria uma unidade sistêmica de homem e máquina unidos por meio de um processo de feedback fluido e contínuo. A apresentação estará centrada especificamente como a performance, a dramaturgia, a linguagem e a repetição podem ser utilizadas para interrogar e separar essa ontologia difusa.

Rod Dickinson é artista plástico e professor de Mídia, Cultura e Prática na University of West England, em Bristol, e sua obra explora ideias de controle e mediação, focando a forma pela qual nosso comportamento é moderado por sistemas de feedback. Usando uma pesquisa detalhada de momentos do passado e do presente, o artista criou uma série de eventos meticulosamente reapresentados que exploram situações e mecanismos que norteiam e guiam o comportamento.

Do Pornográfico ao Social (e de Volta)
(Roberto Winter)

Em 2008, pela primeira vez na história registrada da internet, o uso de redes sociais ultrapassou a procura por pornografia. Mais do que entender um possível fluxo de moralização dos usuários, pode-se sugerir a possibilidade de entender as próprias redes sociais como uma forma de pornografia: uma espécie problemática de mediação das atividades sociais (inclusive do sexo). Ao traçar mais claramente e aprofundar esse paralelo, a palestra tratará do lugar e papel da arte em uma sociedade crescentemente "pornográfica" (cada vez mais mediada, principalmente, pelas manifestações das tecnologias de informação e comunicação), buscando refletir sobre os binômios ética-estética e radicalidade-cooptação, na relação da produção artística com o campo social.

Roberto Winter é artista. Formou-se em física pela USP. Participou de diversas exposições (como o 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea Videobrasil e a mostra Mitologias, promovida pela Embaixada Brasileira em Paris). Atuou como curador (como na exposição À Sombra do Futuro, 2010, no Instituto Cervantes) e é um dos editores revista de crítica de arte Dazibao.

19h30
Palestra de encerramento com Axel Stockburger
O Condicionamento Pós-Guerra - Uma perspectiva tecno-política da arte contemporânea

No rastro de um novo milênio, o campo das artes em relação à mídia passou por mudanças significativas que levaram os comentaristas a proclamar o estado de uma condição pós-mídia. Faz-se necessário, portanto, determinar a reconfiguração das práticas artísticas e suas estruturas tecno-políticas subjacentes diante das ondas de crises decorrentes do capitalismo global. Como o crescimento e fortificação das redes sociais e dos universos corporativos de conteúdo organizado - como o Kindle da Amazon ou o iTunes - afetam formas de arte que estão voltadas para um posicionamento crítico em relação aos efeitos sociopolíticos da mídia? Que posições aparecem no cenário em dinâmica transformação das lutas de poder entre os conceitos corporativos de propriedade intelectual e as inúmeras formas de culturas Shanzhai virtuais e materiais e o seu desafio às formas tradicionais de autoria? O que está em jogo no caso da arte contemporânea quando o paradigma da democracia representativa está sitiado enquanto novos significados do comum surgem na forma de fervilhantes atividades Anônimas e movimentos como Ocupem Wallstreet?

Axel Stockburger é artista e teórico. Mora e trabalha em Viena. Em 2006, recebeu seu título de doutor da University of the Arts, de Londres, explorando o tema da espacialidade nas culturas de jogos digitais. Atualmente, faz parte do Departamento de Arte Mídia Digital da Academy of Fine Arts (Viena).


SERVIÇO
SIMPÓSIO INTERNACIONAL EMOÇÃO ART.FICIAL 6.0
De 31 de maio a 2 de junho de 2012

Sala Itaú Cultural (247 lugares)
Classificação indicativa: Livre
Entrada franca
Ingressos distribuídos com meia hora de antecedência, por ordem de chegada

EMOÇÃO ART.FICIAL 6.0
De 31 de maio a 29 de julho de 2012
De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h
Sábs., doms. e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Faixa etária: livre
































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