segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Pierre Schaeffer ( Fenomenologia do som, pg.27)

Um dos marcos para pensarmos a escuta em Pierre Schaeffer é a proposição do termo música concreta, que se utiliza do estado concreto dos sons, passivel de ser registrado com gravador e manipulado pela fita magnética, diferente da forma tradicional- realizada por meio de solfige, e sua representação pela partitura.
O termo concreto surgiu como uma referência à pintura figurativa, que se vale do mundo visível. Fazendo um paralelo com o desenvolvimento da pintura, cujas transformações seguiram o percurso do figurativo para o não-figurativo- este último apoiado em valores pictóricos forçosamente abstratos. P. Schaeffer entende que o caminho da música foi contrário ao tomado pela pintura. "Inversamente, a música se desenvolveu primeiro sem o mundo exterior, só remetia a 'valores ' musicais abstratos, se faz 'concreta', 'figurativa', poderíamos dizer, quando utiliza 'objetos sonoros' extraídos diretamente do 'mundo exterior' dos sons naturais e dos ruídos".

http://pt.scribd.com/doc/32338852/6/Fenomenologia-do-som

Fenomenologia da Escuta
Fenomenologia do som

a partir da fenomenologia, os estímulos sonoros da percepção não são mais pensados como causas do mundo percebido , apenas os revelam ou os desencadeiam. Isso não significa que se possa perceber sem o corpo-orelha "mas, ao contrário, que é preciso reexaminar a definição de corpo como puro objeto para compreendermos como pode ser nosso vínculo vivo com a natureza". O mundo é o que percebemos, o que ouvimos. No entanto, precisamos discernir o que é nós o que é ouvir, como se não soubéssemos de nada e tivéssemos que aprender tudo.

Devíamos reconhecer que, no caso do som, a confusão entre o objeto percebido e a percepção que tenho dele é mais fácil de cometer [...] o objeto sonoro se inscreve em um tempo que é muito fácil de confundir com o tempo da minha percepção, se me dar conta de que o tempo do objeto está constituído, por um ato de síntese, sem o qual não haveria objeto sonoro, mas um fluxo de impressões auditivas. (Schaeffer, 1966, p.268-9).

P. Schaeffer - acusmático, escrita reduzida

Ruído- aquilo que não produz variações sensíveis ao ouvido, mas isso não significa que ele deixe de produzir variações, pelo contrário,, há tanta produção de diferença que não conseguimos distingui-las.Tomemos a chuva ou o mar como exemplo: cada pingo ou cada ondagera um som distinto, mas o percebemos como indiferenciáveis devido à quantidade e à velocidade com que nos paresentam, ou pela sobreposição dos mesmos (p. 68). O ruído opera em uma velocidade de diferenciação exorbitante, aponto de produzir tantas diferenças em tão pouco tempo que não conseguimos distingui-las. O ruído nos parece uma massa sonora amórfica, estática, considerada como um aglomerado de coisas que não se distinguem, mas que estão lá, são sensíveis, mas não parecem se fazer tangíveis o suficiente para dizermos o que são. Dizemos, então, que há no ruído um excesso de ritmo, tamanha velocidade de diferenciação que oblitera as singularidades.
Com o silêncio acontece o mesmo, mas num outro pólo do processo. A velocidade de produção da diferença é diminuída a quase zero, a ponto de ser entendida também como indivisível. Tanto no silêncio quanto no ruído, existe produção do diferente, em um a velocidade de produção é quase nula, enquanto o outro, apresenta uma velocidade infinita.


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